12 dez. 2008,
por paulo |
9h55
“Vocalista do Smashing Pumpkins diz que banda não lançará mais CDs”
O Billy Corgan, anunciou hoje o que eu já acho faz bastante tempo: CD é coisa do passado. E não me refiro apenas à mídia, progressivamente substituída pelos arquivos digitais. A mídia é, sim, ultrapassada – mas é o conceito que não cola mais.

Ele disse que ninguém mais ouve CDs inteiros. Parcialmente verdade: os fãs ouvem. Mas os fãs são sempre minoria, e são ou os mais pelegos que idolatram qualquer porcaria ou os mais críticos. Mas a colossal maioria das pessoas ouve uma música, duas no máximo, ou três se gostar das que ouviu antes.
Por isso, o conceito de se juntar 10 a 15 músicas para lançar ao mesmo tempo é tão ultrapassado quanto mulher de shorts jeans acima do umbigo. Salvo exceções de obras que tenham uma conexão profunda entre as músicas, que formem um todo complexo, como Tommy do The Who e outros exemplos mais, o negócio é esquecer esse formato de lançamento. A tendência é criar, produzir, lançar; criar, produzir, lançar. Com a propagação digital, isso fica obviamente muito fácil e prático.Afinal, pra que lançar músicas de dois em dois anos se você pode lançar todos os meses?
(Notícia aqui)
10 nov. 2008,
por paulo |
14h12
Fui lá no festival Planeta Terra neste último sábado, um evento de música principalmente alternativa, mas com coisas pop no meio. Um exemplo de organização e de boa execução: lugar espaçoso, charmoso, sem caos ou muvuca excessiva, muito bom. Pena que não posso elogiar tanto assim o show do Bloc Party, minha banda preferida, que tocou lá pela meia-noite no palco principal.
Como grande fã que sou, fui ao show do Bloc Party no Planeta Terra com a expectativa lá no alto. Expectativa que foi incrementada pelo papelão deles lá no VMB, há um mês, quando fizeram um playback por motivos que provavelmente nunca vamos saber de verdade. Imaginava que eles iriam querer compensar, dar o sangue e mostrar que a banda é, na verdade, do caralho. Ledo engano…
Se quiser ver a crítica, postei aqui.
19 ago. 2008,
por paulo |
14h57
Tanto se falou antes da Olimpíada da pança do Ronaldinho – o do sul, não o extra-oficialmente gordo dos joelhos complicados. Sua falta de forma, o longo período sem partidas oficiais, a crise na saída do Barcelona, a dúvida se poderia voltar a mostrar a genialidade que o tornou o melhor do mundo para a Fifa. Mas Dunga o bancou no grupo dos 18 que brigavam pelo ouro inédito.
Até aí, eu concordei com o ex-volante troncudo e grosso (mas vencedor). Era um cenário propício para uma bela volta por cima. Fora que um Ronaldinho gordo vale mais do que 90% dos jogadores profissionais do mundo.
Aí começaram os jogos, e deu pra ver sua falta de ritmo. A pancinha atrapalhou seu rendimento e, embora sua técnica permaneça brilhante, sua agilidade, velocidade e vigor estavam comprometidos.
Até aí, de novo tudo bem. Primeiro porque tenho compaixão pela pancinha, ainda mais com a pancinha que adquiri nas minhas férias. Depois pois, apesar de ele não tirar a camisa após cada partida talvez para não mostrar a barriga, acredito que ele melhorou muito e estava em condições jogar.
Só que o Dunga botou ele mal posicionado, muito recuado para sua realidade física. Ele não está em condições de carregar a bola em velocidade para o campo de ataque, como fazia em 2005/06 no Barça. Do jeito que está hoje, ele só pode dar passes precisos, limpar lances em espaços curtos. Correria não rola. Mas jogando recuado, e para servir um único atacante, não precisa ser gênio pra ver que era óbvio que não daria certo.
Leia mais…
22 nov. 2007,
por paulo |
15h25
“O brasileiro está louco para se apaixonar de novo pela seleção”
O marketing do Galvão Bueno já foi melhor. O chavão repetido por ele ao longo de todo o jogo da última quarta (21/11), no qual o Brasil ganhou do Uruguai por 2 a 1 com dois gols do corintiano de coração Luís Fabiano, tem cada vez menos sentido.
Praticamente ninguém mais tem tesão na seleção brasileira, e faz tempo. Não é por causa da última Copa, aquele show de vergonha alheia. Vem de antes, no mínimo desde a Copa de 1998. Ao menos, segundo o que observo no meu universo: todos torcem muito, mas muito mais para seus clubes do que para o Brasil. Ou você lembra bem da campanha da Copa América, meses atrás?
Quando se fala em seleção, a maioria dos fanáticos por futebol, na qual me incluo, se importa mais com a representatividade dos clubes na amarelinha que o próprio time de Dunga em si. Explico.
Depois do jogo, minhas conversas não são do tipo “o Gilberto foi mal na lateral” ou “o Kaká sumiu em campo”. São do tipo “viu que o Luís Fabiano, corintiano de coração, resolveu?”, ou “o Júlio César sentiu a sombra do Felipe, o goleiro-craque do Timão, e resolveu catar umas bolinhas”, ou ainda “o Robinho, aquele santista dos infernos, foi um brincalhão”. Eu quero saber muito mais de como o Corinthians contribui para o sucesso ou fracasso da seleção do que se a seleção de fato perdeu ou venceu.
E as razões para isso são muitas: desde a simples rivalidade – afinal 99% dos meus amigos são brasileiros, não vou ter quem zoar em caso de vitória – até o papelão ridículo de 2006, que mostrou o desinteresse de atletas e da própria cartolagem da CBF com o futebol da seleção. Se nem eles ligam, por que eu vou ligar?
2 out. 2007,
por paulo |
18h45
Não assisti ao Video Music Brasil 2007. Acho que por falta de interesse mesmo. Mas um amigo me enviou o link para esta crítica aqui, e achei sensacional mesmo sem ter visto o evento. Ao menos, fica a sensação de que, sem qualquer sombra de dúvida, não perdi nada. Confira a íntegra do texto de Jarbas Agnelli no Adstudio Blog.
“A re-re-re-coroação de Pitty como grande artista do rock nacional, e a dominação do espaço por bandas emo, tanto em indicações quanto em premiações, devem estar querendo nos dizer alguma coisa sobre a música nacional.
(…) O Skank deixou de fazer boas canções e bons clipes? Não. A MTV e seu público é que não se importam mais com boas canções e bons clipes.
E aí recebo meu segundo insight. Cabelos e roupas. Banda após banda subindo ao palco para receber o cachorro pequeno (o prêmio), e é impossível não notar o padrão. Alías, é dificil notar diferença. Emos são famosos por sua sensibilidade (não musical, obviamente). O mundo emo parece gravitar em torno da imagem, da estilização, da padronização do som, das atitudes (choro, sentimentalismo), da estética. A MTV abraçou esse mundo, num ato desesperado de marketing, como um reflexo, um espasmo agonizante, da moribunda indústria da música.
E por fim, a conclusão veio como um tapa na cara. A MTV virou um BBB (…)”
Vale a leitura dos dois posts sobre o assunto.